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Que Governo É Esse?

John Donne foi um poeta Inglês que morreu em 1631. Em um de seus poemas Donne escreveu: "Nenhum homem é uma ilha; cada homem é uma partícula do continente uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio, a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano.  E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti".

Parafraseando o poeta Renato Russo a que cantou: Que País é esse? Na nossa indignação queremos também perguntar: Que governo é esse? Que governo é esse que não se sensibiliza, não se importa quando àqueles que promovem a segurança estão inseguros? Quando na função de guardar e preservar a vida de outrem perdem a própria vida, por descaso e negligência dos que se intitulam gestores públicos?  Que governo é esse que continua impassível às reivindicações licitas, justas e legais de sua própria gente? Afinal pertencemos à família dos servidores públicos, a mesma família a quem pertence o Governador e seus subalternos. Que governo é esse que não se importa com os policiais que estão estressados, adoecendo e sangrando nas extensões dos órgãos públicos de responsabilidade do governo do nosso Estado, chamadas de Delegacias de Polícia que, devido às condições de insalubridade não proporcionam o mínimo de dignidade e condições de serviço para quem ali trabalha?

Penso que não há nada de errado com a política, mas sim com os políticos, bem como esta maneira "diferente de fazer política " tão propalada em época de campanha. O erro reside nos políticos, cujos corações e mentes já gangrenadas não mais podem se emocionar e nem se sensibilizar, mesmo diante de fatos tão trágicos, que assolam o meio policial, vitimando a nossa gente. Servidores estes, que não são mais ouvidos, profissionais desprestigiados e vítimas das elucubrações maldosas que se materializam em forma da famigerada PEC 241/16.

Como cristão, comungo com o ensino de Paulo a seu discípulo Timóteo, quando o orienta a atender a ordenança divina prescrita na Bíblia em 1 Tm 2.2,3 que devemos orar pelas autoridades constituídas. Não para Deus as abençoarem se estas não forem fieis às suas palavras, pois Deus não tem compromisso com os perjuros nem com os mentirosos. Mas, sobretudo para que Deus as salvem, as curem e as libertem de seus estados letárgicos, em face dos acontecimentos funestos que assolam a segurança privada dos que trabalham na segurança pública. A exemplo do que aconteceu em Pedro Gomes e Itaquirai, há 1 ano atrás, entre outros.

Quantos "Andersons" e quantos "Arleis" deverão ainda ser vítimas de vosso descaso Senhor Governador? Que quantidade de viúvas e órfãos, quantas lágrimas derramadas por país, mães e parentes serão suficientes para sensibilizar vossa mente adormecida que parece despertar apenas no período eleitoral? Saiba, contudo, que homens como o colega Anderson que sucumbiu no exercício da sua nobre função, certamente não será esquecido. Herói que não morrem não existe apenas nos quadrinhos, eles são uma realidade na nossa categoria.  Contudo, os nossos heróis são reais e eternos, assim como perpetuará também os seus feitos e os seus sacrifícios. E nenhum governo insensível poderá nos roubar esta glória.

Não perguntem às nossas autoridades por quem os sinos dobram, pois elas não saberão responder.  E a razão disso deve-se ao fato de não poderem mais ouvir suas badaladas. Isto é profundamente lamentável, mas, real. Mortos, conotativamente falando, não podem mais ouvir e nem sentir nada. A morte de qualquer policial nos diminui, porque somos parte deste todo, desta gloriosa família Polícia Civil.

Benjamin Rôa
Aposentado IPJ


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